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terça-feira, 17 de maio de 2016

Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Estou há duas horas numa festa "que talvez você dê uma passada". Pessoas falam comigo e eu concordo com um sorriso sem tônus, procurando sentido em dentes como se eu fosse de outro país.
Decido ir embora. Estou cansada, estou com meu batimento cardíaco descompassado e bruto chicoteando a jugular. Meus olhos brilham tanto que o brilho escorre e escurece um pouco as olheiras. Você me deixa com cores menos humanas.
Pago a conta, pego a bolsa e suspiro: talvez você dê uma passada. Olhar pra porta é como buscar um fiapo de proteína num planeta com pavês de chocolate.
Decido que eu não preferia antes de te conhecer. Qualquer tormento é melhor do que bocejar. Bolas de calcanhares entediados presas a um pé de ferro.
Só mais um pouco. Mais uns minutos. O táxi está na esquina. Você está na porta. Não fico feliz. Não quero te ver. Não gosto de você. Me lanço para os seus braços. Te conto que estou ossuda e seca de tanto sugar meus pensamentos. Você salgou minha carne, me deu sabor e agora fico me chupando até não sobrar nada. Mas sempre sobra.
Você então começa a me rodopiar. Não pense e só dance, você diz. Acho impossível que duas pessoas que se conhecem há pouco tempo e nunca frequentaram um desses cursos de dança se encaixem tão bem. Mas isso é racional e não explica nada sobre o nosso abraço.
A gente se encaixa muito bem. Um na caixa do outro e a gente tentando parecer grande pra não asfixiar o comecinho do amor. O maior carinho do mundo é se alargar pro outro poder esticar as pernas.
Fico com a sensação de que sua orelha é do tamanho exato da metade da pele atrás do meu joelho. Que a palma da minha mão tem o tamanho exato da parte da sua nuca que vi quando você vai embora. Que seu pé inteiro esquenta ou esfria minha batata da perna inteira.
Fico com a sensação que se eu desmaiar, você pode apenas me somar a seu corpo e seguir vivendo por mim. Eu não queria acabar agora, então, por favor, me termine pra mim.
Fico com a sensação que se eu me lançar dramaticamente pra trás, com meus cabelos estapeando qualquer coisa esquecida, automaticamente brotarão mãos másculas da minha lombar. Suas mãos brotam da minha lombar. Não sinto você me segurando pela cintura. Nem sinto minha cintura segura pelas suas mãos. Sinto que suas mãos brotam de dentro da minha cintura.
E então os pés que te trouxeram (e que sempre te levam tão rápido) agora retiram magicamente minha cabeça da dança e substituem minhas ordens. Ser dirigida pelo seu chão é como ser libertada de uma jaula gigante e esmagadora.
E eu consigo gostar de você apenas com as minhas células e elas, porque não choram e nem sonham, se chacoalham quentes enquanto ignoram uma cabeça rolando pra longe. Quanta coisa linda a gente não nega pra sobreviver num mundo de robôs.
De repente abro os olhos. A cabeça desperta aos poucos, apenas pra dar sentenças claras aos atropelos do peito. Eu penso que isso é gostar tanto de você. Penso que pra caber no diâmetro pequeno entre o ombro que você beija e o ombro que eu mesma toco, te laçando, tem que derramar um pouco.
Eu sei que esse amor é um bebê recém nascido que, por medo e vergonha, já expeli mas seguro entre as pernas. Já tem unhas, mas depois os olhos mudam de cor. Não posso te oferecer, pelada e arregaçada, uma vida tão pequena e à base de líquidos, mas queria que você soubesse a batalha sangrenta que é não sobrecarregar as delicadezas de fora com a violência de dentro. 
tati bernardi
Tati Bernardi é escritora, redatora, roteirista de cinema e televisão e tem quatro livros publicados.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Você me trouxe até aqui pessoa em carne em viva, exposta, maluca, ridícula, errada, neurótica, obsessiva, sempre entregue numa bandeja de ouro para os raros pensamentos elaborados e carinhos honestos do mundo, ainda que muitos desses meramente teatrais..., mas depois de 10 anos de terapia e muito cansaço do riso alheio eu preciso deixar você ir embora e virar uma daquelas adultas que saem pela rua com pele calejada e não com o fígado à mostra. Que difícil. Estou na fase mais difícil da minha vida. Não sei não ser uma idiota e amo a idiota ainda mais do que toda a dor que ela me causa. Mas não dá mais pra sentir a vida com cinco anos de idade. E esperar que o mundo tenha carinho com isso como se o mundo não estivesse ocupado com seus cinco anos de idade também. É lindo ser idiota. É a única coisa que me levanta da cama de manhã. Mas já machuca há mais de vinte anos e simplesmente não dá mais. Tudo começou a dar defeito e a me pedir proteção. Eu escuto meus órgãos e meu cérebro e meu coração me pedindo "chega". Preciso deixar você ir...mas até pra deixar você ir, me exponho ao ridículo novamente. Como é difícil.
Eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.

domingo, 23 de setembro de 2012

Tristeza

Não existe nada mais triste do que essas coisas de dar a volta por cima e essas coisas de tocar o barco e essas coisas de sacudir a poeira e essas coisas medonhas que a gente fala ou pensa ou ouve. A tristeza são frases vazias e feitas e tediosas saindo de bocas vazias e feitas e tediosas.A tristeza é a próxima música, a próxima seta pra direita, a próxima seta pra esquerda. A tristeza é o ar que sai e o ar que entra. A tristeza é o segundo de ar que se perde e fica mais um tempo. A tristeza é dizer que são cinco dias, são seis dias, são sete dias. A tristeza é a nossa última vez juntos fazendo quinze dias, dezesseis dias, dezessete dias.A tristeza é o amor ter acabado sem ter acabado. É não saber o que é amor e não saber o que é acabar e não saber o que é não acabar. A tristeza só sabe que é triste e todo o resto ela só tenta saber, mas fica louca e desiste. A tristeza é de uma simplicidade que a torna ainda mais triste.

sábado, 7 de julho de 2012

Repescagem de inverno - Tati Bernardi




Em alguns momentos da vida, mais comumente quando começa o inverno, repensamos nossos “descartes” (não o filósofo/pensador) pelo mundo afora.

É a época em que cai a ficha, finalmente, de que o tal moço incrível que vai te dar segurança, filhos, amor incondicional, cultura geral mas com profundidade e quinze orgasmos por semana pode não existir. Aí você pensa: poxa, mas tinha aquele lá, ele não era tão ruim, era? Acabou por quê?

É o momento repescagem. Todo mundo já repescou ou foi repescado. Basta o cachecol e a bota de cano alto saírem às ruas. O amor meia boca volta a imperar. Garotos não tão bons de papo mas com uma boa performance no quentinho de edredom, voltam pro jogo. Outros, mais recatados e sem glamour na pegação, mas inteligentes e perfeitos para um vinhozinho de fim de dia, reaparecem com boas chances de serem valorizados. É o frio, minha gente. Nada além disso.

Os bons de papo e de “cama, mesa e banho”, então, nossa. Esses recebem propostas de casamento, ganham presentes, massagens e outras coisinhas que mulheres juravam jamais dar. Elas esquecem que eram tipos malucos, inconstantes, mentirosos, traidores, covardes e mais um monte de coisa grave que ganha “desimportância” conforme o frio aumenta. Eram ótimos partidos! Eu que sou muito exigente! O frio diminui as expectativas, as esperanças, os sonhos. O frio só aumenta o desespero.

Se você, caro amigo, é um partido meia boca, saiba que suas chances duplicam no inverno. Se você, cara leitora, é uma mulher que odeia se sentir burra, espere o tempo esquentar antes de mandar aquela mensagem de texto de madrugada pro seu ex-ex-ex-ex-ex-namorado. Se você deixou ele ir embora, não é o frio que deve trazê-lo de volta.

Calma que daqui a pouco a voz da razão ou da regata com shortinho vai te mostrar o caminho correto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Desapegue dos detalhes. Gargalhe. Não se importe. Seja egoísta. Confie em você. Não fique com medo antes que aconteça. E sempre… Cuidado com quem se importa de verdade!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Firme e piadista por fora... mas assustadíssima e carentíssima por dentro.
"Que a gente siga assustando as pessoas que não merecem se encantar. Que a gente siga afugentando quem não merece ficar. Que a gente siga!"

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Há quem duvide, mas amo todo mundo! Alguns eu amo ter por perto, outros eu amo... evitar, outros eu amo bem longe de mim... E tem aqueles que eu amaria nem ter conhecido."

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ainda não

Às vezes cansa e entristece tanto, o mundo com os mutilados todos. Enxergar os pedaços, pegar um cinema com um tronco, tomar um café com meio rosto, apertar as mãos de uma canela, sentir o abraço idiota de um joelho com aquele cheiro de pele lixada pela continuidade.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

“Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Minha vontade é esquecer você. Apagar você da minha vida. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: IT’S ME, e minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter."

sábado, 2 de julho de 2011

Por isso você era em doses homeopáticas a pessoa mais carinhosa do mundo e também o ser mais frio do planeta. Muito em pouco, o máximo no mínimo, quase nunca pra sempre, nunca mais todos os dias.”

sábado, 28 de maio de 2011

Desde muito novinha decidi que minha vida não seria chata. Eu inventaria um trabalho, uma casa, um dia, um modo, um jeito. E inventei.
Eu ficaria mais. Eu não gosto nunca de nada e gostei tanto de você. É? Droga. O quê? Eu falando de gostar. E daí? E daí que vai acontecer tudo de novo. O quê? Vou sentir demais, falar demais, escrever demais, você vai embora.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação. Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela.

sábado, 7 de maio de 2011

Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo.
Eu sabia que isso mais cedo ou mais tarde viria. Vem sempre depois do tô ótima, melhor que nunca. Vem sempre depois do tô aliviada, melhor assim. E então, quando abafa o grito alegre, abaixa o tudo de bom que sou, recolhe a corrida pelo nem é comigo, chega essa notícia insuportável me lembrando que ficamos pra trás. Deixar a dor vir é como receber o jornal de amanhã com notícias velhas

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu gosto de você porque gostar não faz sentido.
Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.

Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. Se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos

sexta-feira, 22 de abril de 2011

De todo mundo que eu vi de costas, partindo, foi a vez que mais doeu. Talvez porque um pouco antes, quando eu ainda amava sua nuca e sua eterna mochila nas costas como amei poucas coisas na vida, você se virou, apontou o dedo pra mim, e gritou, com pouco ou nenhum carinho: você é um caminhão! Caminhão! Ca